O TEMPO NÃO PARA: um discurso para mentes congeladas

Família Sabino Machado (Foto: Divulgação TV Globo)

Quem dá boas-vindas também tem que se despedir, não é mesmo? É assim, então, que faço as honras com a novela da mesma forma com que a acolhi, escrevendo. Quando lançou, “O Tempo Não Para” tinha um grande trunfo ao seu favor: a inovação. Pessoas que passaram 132 anos congelados e chegam em pleno século XXI. Doido, né? Sim, muito. Mas, mais doido ainda é descobrir que, mesmo com tanta novidade, há realidades e há padrões que teimam em não desaparecer. “Agora os negros são livres e respeitados” – será que são? “As mulheres têm os mesmo direitos que os homens” – será que tem? Só por nos fazer pensar nisso, a novela já merece um muito obrigado.

Em se tratando do “drama dos congelados” podemos dizer que a trama cumpriu o prometido, girando em torno de suas dificuldades de adaptação, suas conquistas e, para alguns mais uma vez, a luta para se livrar da ganância, desta vez da ciência.

O “Tempo Não Para” girou em torno de pessoas. E da nobreza que existe em cada uma delas. Da sutileza com que senhor Elizeu (grande Milton Gonçalvez) prepara o seu café, todas as manhãs. Na força com que Cesária encara o mundo. No respeito que Samuca tem pelas pessoas.

Um roteiro congelado

Mas, nem só acertos sobreviveu a obra de Mário Teixeira. Vimos, com o passar de cada dia, um roteiro mais congelado que os personagens, e atores (grandes atores) pouco explorados durante a trama: Cris Vianna e Marcos Pasquim são exemplos disso. Sem falar na vilã Betina (interpretada por Cléo Pires) que viveu a novela toda a sombra de pequenos espaços, sendo no final, engolida por Mariacarla (papel de Regiane Alves).

Em compensação aos “furos” tivemos a felicidade de encontrar uma ótima química no casal principal. Juliana Paiva (que confesso que já era a menina dos meus olhos há um tempo) segurou muito bem o protagonismo na parceria com Nikolas Prates (ator que também vem conquistando). O casal teve muita química e não deixaram seus personagens cair na mesmice.

Cereja do bolo do último capítulo: ver Marocas conhecer sua verdade idade, 132 anos (nem preciso dizer que isso rendeu muitos memes).

(Foto: Divulgação TV Globo)

Como diz Dom Sabino “tudo acaba bem, quando termina bem”. Que “O Tempo Não Para” tenha vindo para, além dos 13 tripulantes, descongelar muitas outras mentes. É o que desejamos.

Texto por

Mariana Virgílio é Jornalismo, capricorniana, noveleira e formada em Grey’s Anatomy por quatorze temporadas. Acredita no poder da Comunicação e no papel social do artista. É apaixonada por manifestações artísticas e, em paralelo à profissão, exerce a paixão pelo teatro e pela literatura. É uma dos seis escritores do livro “Pôquer a seis”, lançado em março de 2018 e escreve textos para a distopia Literalmente (https://medium.com/literalmente). 

Autor: marcellusfonseca

Ator e radialista, formado no curso de Rádio, TV e Internet pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Atualmente estudante da pós-graduação de Storytelling na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa. Apaixonado pela TV brasileira, dedicado à arte da telenovela.

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