Orgulho e Paixão: a luta feminina no agradável e agressivo interior

Minha primeira aproximação com Orgulho e Paixão foi por saber que seria inspirada no livro Orgulho e preconceito de Jane Austen, que já estava na minha lista há meses, e terminei-o quando a novela já tinha começado. Este romance não foi a única inspiração de Marcos Bernstein. O autor reuniu características de personagens e universos de outros livros de Jane, como: Emma, Razão e Sensibilidade, Lady Susan e Northanger Abbey. Mas, apesar de menos assistida que as obras anteriores do horário das 18h (ou 18h15 ou 18h30…) e ela vêm conquistando o público e terá mais duração que sua antecessora, Tempo de Amar.

Críticas à parte, a novela sobra em sensibilidade nas falas dos personagens, principalmente das personagens femininas. A maioria se reúne no interior, cidade fictícia chamada Vale do Café. Ambientada em 1910, expõe uma sociedade apegada a valores, sobrenomes e tradições. “Em uma época cheia de regras, elas faziam as delas” – já dizia a chamada da novela. É sobre elas e é nelas o seu ponto alto.  “Acho que as mulheres já conquistaram muitas coisas, mas elas estão em um momento onde elas precisam dessa inspiração, de mulheres poderosas, mulheres que vão à luta” – resumiu Gabriela Duarte na coletiva de lançamento da novela. Falando em Gabriela, é por ela que começamos a falar de nossas guerreiras.

 Julieta

Interpretada por Gabriela Duarte.

Orgulho e Paixão Julieta
Gabriela Duarte como Julieta (foto: divulgação/TV Globo)

“O senhor não sabe o que uma mulher como eu precisa aguentar, calada, para sobreviver nesse mundo de homens”.

Vítima de um estupro que a fez engravidar aos 16 anos, foi obrigada a casar-se com o agressor e criou, sozinha, o filho depois da morte do marido. Ainda construiu, sozinha, um império que muitos atribuem ao trabalho do marido, Ela, inclusive, assina com o seu sobrenome de casamento. Preciso dizer mais alguma coisa? Julieta, que para muitos é uma vilã, mostra o que anos de abuso físico e moral causam nas mulheres. Criou o filho por meio de uma distância amorosa e é constantemente subjulgada em reuniões de negócios com os homens. É dona do título Rainha do Café e vem desenvolvendo cenas de grande tensão. Ela por si só já daria uma análise.

 

Elisabeta

Interpretada por Natália Dill.

Orgulho e Paixão Elisabeta
Nathália Dill como Elisabeta (foto: divulgação/TV Globo)

“Eu acho que tenho o direito de viver minhas próprias experiências. (…) Eu desejo tudo que a vida tem a me oferecer.”

Protagonista da novela, Elisabeta deseja o mundo. Fugindo dos sonhos de sua mãe e irmãs, a mais velha dos Benedito luta para conseguir um emprego e recusa, por várias vezes, o pedido de casamento do homem que inclusive ela ama. Decidida, começa a escrever em um jornal de São Paulo histórias de mulheres batalhadoras e decide ter a primeira noite com o homem que ama mesmo sem se casar com ele (uma raridade pra época é válido lembrar).

 

Ema

Interpretada por Agatha Moreira.

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Ágatha Moreira como Ema (foto: divulgação/TV Globo)

“Nada está acima das pessoas que eu amo.”

A luta feminista não é contra o casamento, mas contra a falta de liberdade das escolhas das mulheres. A força de Ema é a prova disso. Casamenteira de plantão, ela é responsável por casar parte de suas amigas. Criada em uma família tradicional, bate no peito por defender seu sonho de se casar e cuidar da família. Tendo o casamento como prioridade, a baronesinha não perde em nada por pensar assim. Sua personagem é a prova de que liberdade é liberdade, seja em qualquer direção.

 

Jane

Interpretada por Pâmela Tomé.

Orgulho e Paixão Jane
Pamela Tomé como Jane (foto: divulgação/TV Globo)

“Eu não abrigo maus sentimentos em meu coração”.

Jane é a personificação do sentimento de delicadeza. A sua maneira, ela não fica atrás das mulheres corajosas, mas segue a linha de seu coração e isso, não depõe contra a menina Benedito. Vindo de uma família de classe média, apaixonou-se logo no início da novela por um homem rico, lutou contra as exigências da época, casou-se e escolheu perder a virgindade com ele só depois da celebração. Para ajudar nas contas de casa, começou a trabalhar de lavadeira. É sutil, com um olhar fraternal e uma crença no outro insuperável. Jane comprova o poder das pessoas de coração.

 

Ludmila

Interpretada por Laila Zaid.

Orgulho e Paixão Ludmila
Laila Zaid como Ludmila (foto: divulgação/TV Globo)

“Vou te mostrar como as tradições nos limitam”

Ludmila é a típica mulher moderna da época de 1910. Usa calça, em um mundo de saias e administra uma fábrica perante um conselho administrado por homens. Fuma, namora vários homens sem casar com eles e incentiva suas amigas e buscarem suas independências. É irônica, inteligente e com a língua bem afiada. É uma personagem secundária que, quando em cena, não deixa de ser notada.

Além das cinco aqui citadas, ainda temos muitas outras, e elas ainda irão aparecer. Orgulho e Paixão é transmitida de segunda a sábado, às 18h30, na TV Globo.

 

Autora do texto:

Mariana VirgílioMariana Virgílio é Jornalismo, capricorniana, noveleira e formada em Grey’s Anatomy por quatorze temporadas. Acredita no poder da Comunicação e no papel social do artista. É apaixonada por manifestações artísticas e, em paralelo à profissão, exerce a paixão pelo teatro e pela literatura. É uma dos seis escritores do livro “Pôquer a seis”, lançado em março de 2018 e escreve textos para a distopia Literalmente (https://medium.com/literalmente).